Reclamações da População

HOSPITAL DE JEREMOABO  ENCONTRA-SE EM FASE TERMINAL NA UTI
Por: J.Montalvão

        Refrescando a memória do cidadão, vamos prognosticar o Hospital de Jeremoabo desde o seu surgimento, pois  o mesmo é um caso patológico, fácil de diagnosticar, difícil de curar.

        O  Hospital de Jeremoabo-Bahia, é um doente crônico, que vem convalescendo há muitos anos. Para melhor dizer, já nasceu doente.

        Por falta de administração, com  pouco tempo de inaugurado, começou a faltar tudo, principalmente PLANTÃO. Quem não se lembra daquele tempo em que o doente chegava ao  Hospital e não encontrava médico. A pobre da ATENDENTE indignada,  amedrontada, e por que não dizer constrangida, informava:” moço eu não posso chamar o doutor, pois a ordem é para só chamar se for facada, tiro ou mulher pra parir, assim mesmo se o parto for complicado, para ser transportado para Paulo Afonso ou Aracaju”. Aí começa a outra via sacra, conseguir carro com gasolina, e adivinhar  quem era o motorista, para ser transportado.

       Nesta época, mulher pariu em cima de caminhão, e criança morria no braço da mãe por falta de atendimento ou então por falta de medicamento.

       Falando em medicamento, outro sofrimento. O médico prescrevia três ou quatro medicamentos, a depender da gravidade do caso. Quando o paciente tinha muita sorte conseguia um, assim mesmo o mais barato

       Entra  na Prefeitura João Ferreira, aí se inicia outra fase.

       Naquele tempo eu era  o Presidente do PMDB, então o prefeito recém empossado acha de me nomear Secretário de Saúde. Se não me falha a memória, havia cinco médicos empregados da prefeitura.

       Vem o carnaval. Hospital sem plantão. Posto da prefeitura pior, pois todos os médicos funcionários, com viagem marcada para brincar o carnaval na capital.

       Partir para o diálogo, ponderei a situação da cidade em época de festa sem atendimento médico. Não houve acordo, se é que em tal situação poderia falar em acordo.

       Retornei ao meu gabinete, expedi uma portaria determinando a escala de plantão dos médicos. Falei também com o prefeito que iria determinar o cumprimento daquela portaria, e que caso não fosse atendido, seria aplicado o rigor da lei. Não encontrei apoio, então apelei para dois médicos vistos como contrários a administração, os Drs. Petrônio e Fausto. Apesar dos aludidos não usufruírem das benesses da viúva, foi com quem contei.

       Passado pouco tempo solicitei a minha exoneração.

       Posteriormente justiça se faça, o Sr. João Varjão, com a ajuda do Dr.  Waldir conseguiu dar cara nova ao Hospital, fazendo com que o mesmo funcionasse. Contou com a competência do Dr. Ari e Luiz Carlos,  além de poucos que aqui eram lotados.

       Foi no seu governo, que tornou-se rotina as pequenas cirurgias, eletrocardiogramas, preventivo de câncer, exames de laboratório, medicamentos, e mais alguns avanços.

       Hoje devido a politicagem irresponsável, pois estão brincando com a saúde do povo, e, enquanto a superfuncionária ali permanecer agindo como  se aquele nosocômio fosse uma bodega de sua propriedade, principalmente com a malversação do dinheiro público,  fato já denunciado ao Ministério da Saúde, aquele Hospital só poderá  voltar a funcionar a contento, com um milagre, e como milagre está difícil, haja coração.

      Com  todo esse desmando administrativo, quem mais sofre é o povo humilde,  “os sem voz”, a exemplo das denúncias transmitidas através rádio local.

      Enquanto isso, o Diretor do Hospital está ficando careca de procurar uma solução para  aquele órgão, pois é uma pessoa vivida, que sempre procura aprofundar os seus conhecimentos em benefício do povo de Jeremoabo e da região, porém por entender mais da parte técnica do que da administrativa burocrática, não manjou a enroscada em que está metido.  Cedo ou tarde alguma auditoria há de vir, nesta fase é que a superfuncionária  sai de baixo, vai dizer que a responsabilidade do Hospital é do diretor, e que ela é apenas uma funcionária. Vai fazer como seu irmão prefeito fez com o PETI, transferiu responsabilidades para seus subordinados  juntamente com alguns cidadãos de boa fé.

       Todos nós jogamos a responsabilidade no Diretor do Hospital, o que em parte temos razão, porém aquele senhor, vem fazendo de tudo no intuito de eliminar a doença do seu paciente hospital com diálogo e trabalho. Com trabalho talvez até consiga, a exemplo da sua atitude louvável de dar plantão, pois  plantão de diretor é questão de querer ajudar. Quanto ao diálogo acho impossível, talvez só com a ajuda dos fantasmas, ou mesmo laranjas.

       Porém como o maior Império, que foi o Império Romano  caiu, talvez o Diretor do Hospital consiga vencer pelo cansaço, sabendo contudo que a doença é patológica e crônica. Além do mais tem que eliminar a bactéria oportunista.


     
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