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Jeremoabo | |
Por:Expedito Lima Em 1549, quando se comemorava, obviamente, os 49 anos de descobrimento do nosso Pais, por Pedro Álvares Cabral, chegava à Bahia, Tomé de Souza, com a ordem expressa do rei de Portugal D. João III, para fundar a cidade do Salvador, primeira capital do Brasil e se transformar, em conseqüência no primeiro Governador Geral da Colônia. Entre as pessoas que faziam parte de sua comitiva, estava a de Garcia D'ávila ou da Vila, como lhe tratavam alguns; a quem previamente fora entregue, pelo Governador, o cargo de chefia do Almoxarifado dos armazéns reais. Embora já fosse pessoa tida como possuidora de grande fortuna, o velho Garcia com espírito aventureiro, tangido pelo seu temperamento de colonizador e homem de ação enérgica e rápida, depois de tomar conhecimento da existência e como se apresentavam às terras brasileiras, particularmente as do nordeste baiano; voltou a Portugal e, junto ao rei, conseguiu uma Sesmaria que estava calculada em mais ou menos 60 léguas de terra quadradas, o que correspondia, na totalidade da medição, 260 léguas. A doação estava amparada nas instruções contidas no regimento datado de 17 de fevereiro de 1548, assinado pelo mesmo D. João III e entregue a Tomé de Souza. Diante disto, de volta ao Brasil e sem perda de tempo, na sombra do Governador, e certamente sob sua estima, confiança e apoio, partiu imediatamente o chefe do almoxarifado, que também já era considerado Senhor, para estabelecer o primeiro "Curral", cuja localização foi à linda ponta Itapagipana, em Salvador, que lhe pertencera até o ano de 1587, ocasião em que foi feita sua doação ao mosteiro de São Bento. Garcia D'ávila era casado com a índia batizada, Francisca Rodrigues, de quem teve uma filha em 1553, Isabel D'ávila, a qual tivera como primeiro marido, Gil Vicente de Vasconcelos, morto em combate com os Tupinambás. Desse tempo em diante e com o novo casamento de sua filha com Diogo Dias, que era neto de Catarina Paraguaçu, iniciou-se a formação de sua árvore genealógica em terras brasileiras, centralizada na Casa da torre, residência oficial dos Ávilas. O último documento conhecido sobre ela - casa da Torre - é o título que foi passado pelo imperador D.Pedro em dezembro de 1822, no qual constava a assinatura de José Bonifácio de Andrada e Silva, que era cognominado o " Patriarca da Independência", ao coronel Antonio Joaquim pires de Carvalho e Albuquerque, em respeito aos grandes merecimentos, e aos relevantes serviços que foram prestados com honra e patriotismo, além de dedicação e entusiasmo a bem do Estado e da gloriosa causa da independência e constituição do império. Na sua escalada de conquistas, não só pelas bandas do rio da Unidade Nacional, o São Francisco ou por todo alto Sertão do Nordeste baiano, Garcia D'ávila saiu construindo aqui e acolá "Currais", e neles, comumente, eram colocados 01 casal de negros com 10 vacas, 01 casal de eqüinos e 01 touro. Um desses currais foi fixado exatamente ás margens do Rio Vaza-Barris., em razão de suas fortes terras, possivelmente no lugar por onde tinham passado ou estado, padres franciscanos, em missão, os quais deparou-se com os índios moungurus da Nação dos tapuianos orizes, e que em tempos mais remotos, outros viajantes sertanistas já tinham colocado o nome de santa Brígida, isto em 1702. Todavia, pesquisas e a própria história revelam, quase com precisão, que muito antes ou seja, nos idos de 1669, já habitavam e eram assistidos pelos missionários, no lugar oficialmente descoberto, fundado pelo Garcia e que se chamava Jeremoabo; os índios Kiriris e Cariacás, remanescentes dos Tupinambás e Tupiniquis, tribus encontradas na Bahia, provavelmente desde o descobrimento do Brasil. Porém, os primeiros - Kiriris - foram debandados de já povoado "Curral" de Jeremoabo, quando da expulsão dos clericais, para as regiões que atualmente fazem parte, principalmente, dos municípios de Nova Soure e Ribeira do Pombal. Relato outro nos informa ainda, que no mesmo ano, 1669, ditos Missionários, prestavam assistência também aos silvícolas das aldeias de Canabrava(SantaTeresa de Canabrava), atual Ribeira do Pombal, BOIMÉS, Itapicuru e, ainda, Kaimbés, em Maçacará. Eles, sem sombra de dúvida, a partir especificamente de Jeremoabo, foram o alvo central não só para a civilização e função serviçais, sob o controle de Garcia D'ávila, mas, também reais colaboradores do processo transformador do próprio Jeremoabo, no centro colonizador mais importante do nordeste baiano, inclusive de seu amplo território nasceram vários municípios. Ainda sobre sua fundação, notícias dão conta de que no exato lugar de sua primitiva existência - ALDEIA -, fora erigida uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Brotas, e que a catequese os seus índios e da região, fora doutrinada pelos padres João de barros e Jacob Roland, e que dita capela ficava às margens do Rio Vermelho, local cujos alicerces se vêm dela, marco, portanto, da missão jesuítica no período do seiscentismo. O local citado, é exatamente hoje onde se encontram as ruínas da mansão dos Sá, entre as terras que compreendem o HOSPITAL regional de JEREMOABO, EM DIREÇÃO NORTE DA ESPADUADA DE Baixo, frontal com o atual Cemitério São João Batista; embora alguns achem, principalmente pessoas com mais de 60 anos, de que seria no lugar do antigo Cemitério, hoje igreja de nossa senhora da Conceição, hipótese menos provável, pelo o que se tem realmente apurado sobre o fato. Aliás, a pretexto disto, quando foram dirigidas, pelo padre Januário de Souza pereira, informações à Corte, estas davam conta de que havia na sede, na freguesia de São João Batista de Jeremoabo do Sertão de Cima, 32 casas e 252 habitantes, entre os quais 05(cinco) brancos e os demais negros e que, evidentemente, a maioria freqüentava a ermida já referida(Nossa Senhora de brotas). Existe opinião, em esfera dentro de uma possível unanimidade, de que a primeira habitação(casa residencial),de Jeremoabo, pós-período do aldeamento, foi construída no local onde hoje é a Praça da Matriz e que pertence aos descendentes do segundo maestro, ou melhor, do terceiro maestro Domingos de Almeida, a qual encontra-se no estado de conservação permanente, sem ser adulterada sua originalidade, Aliás, tratando-se disto, deve-se ressalvar que a origem do nome Jeremoabo, que em língua dos índios significava " plantação de abóboras", o tradicional jerimum, - vem desde o povoamento inicial pelos aborígines moungorus e cariacás, do ramo dos tupinambás. Convém frisar, que além da jerimum, nos tempos passados existiram em abundância: mangaba, murici, estes nos seus tabuleiros, além de manga, caju, graviola, araticum, araçá, umbu; isto sem se falar nos produtos básicos da subsistência dos primitivos. Independente deles, e em se tratando de árvores, em grande escala se tinha e se via inclusive nas cercanias da sede do município, as resistentes jurema e juazeiros, a primeira servindo até de inspiração para composição musical. Os nossos índios, os negros e até mesmo os poucos brancos, no princípio da civilização, em meio às suas terras, edificavam simples casebres ou choupanas, que recebiam o nome de "fogos", os quais certamente foram destruídos quando do incêndio ocorrido em Jeremoabo, a mando do Sr. da Casa da Torre, em represália aos missionários, porque estes se opunham à escravidão dos índios, em busca de braços para o trabalho na agricultura, cuja reconstrução somente aconteceu depois da intervenção do papa e do próprio governo colonial. No ano de 1688 foi expedida a patente do primeiro capitão-mor da aldeia dos índios de Jeremoabo, em favor de Sebastião Dias e na categoria de cabo, Domingos Rodrigues de Carvalho, que houvera dominado através das armas e feracidade dos indígenas locais. Outro também que recebeu a patente de capitão dos mesmos índios, que eram os moungurus, foi o cidadão Inácio Dias. Por outro lado, em 1697 foi criado seu distrito militar, dessa vez para esmagar as lutas entre os próprios moungurus e os cariacas que viviam em contínuas desavenças, a título de pacificação, sobre o comando do Cap Antonio Dias Laços . Entretanto, para maior garantia da ordem pública, foi nomeado Capitão-Mor de Jeremoabo o mesmo Sebastião Dias, que foi sucedido pelo próprio Domingos Rodrigues de Carvalho e Bento de Araújo Brito. Entende-se e está claro de que em razão de tudo isto e achamos que forçosamente, Jeremoabo em 1698 aparece com a categoria de "Julgado", lhe dando assim a condição de resolver os seus problemas sobre questões jurídicas, pelo menos as mais simples em sua própria casa. Enquanto isto, pelo decreto datado de 25 de outubro de 1831 seu povoado, é elevada a categoria de vila, tempo em que já existia nele um juiz permanente, em função de haver atingido á qualidade de julgado, como já foi dito e em 06 de julho de 1925, foi elevada à cidade, por força do decreto estadual nº 1775, cuja inauguração dela, ocorreu no dia 7 de setembro do mesmo ano, já sendo considerada sua extensão territorial, a partir de 1831, município, ocasião em que fora desmembrado da Vila de Itapicuru, a que pertencia. Tendo se transformado em julgado em 1698, Jeremoabo somente passa a ser reconhecida Comarca de 1ª entrância em 1944, passando a envolver os Distritos de Bebedouro, Serra Negra e Canché. O primeiro conhecia-se por Iguaba, atualmente o município de Coronel João Sá; o segundo Voturuna, , Serra Negra, e hoje Pedro Alexandre. Nesta época, a área do Município atingia 7.39 km2, população de 34.904 habitantes, 2,94 hab/km2 a densidade demográfica. Fontes de pesquisas: A Casa da Torre - João G. C. Sá História da Diocese de P.Afonso Pe. Luiz Gomes Palacin e Mons. Francisco José de Oliveira |
Clique sobre as fotos para visualizá-las em tamanho real. ![]() Imagem de Satélite. ![]() Igreja Matriz São João Batista. ![]() Praça da Matriz. ![]() Primeira Casa de Jeremoabo. ![]() Praça Cel. Antonio Lourenço de Carvalho. ![]() Capela N. Sra. de Brotas e Mansão dos Sá. ![]() Cemitério de Jeremoabo. ![]() Antiga Goela da Ema ![]() Estádio Mul. João Isaías Montalvão. ![]() Nova Ponte sob o Rio Vaza Barris. ![]() Rio Vaza Barris. Laboratório LAMES
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