São
os EUA que estão entupidos de armas de destruição em massa – nucleares,
químicas e biológicas - sem qualquer controle. A ameaça à paz e à
segurança do mundo é “baby” Bush
Em sua tentativa de arrumar um
álibi para a agressão, o Usurpador Bush vem chantageando a ONU com a
afirmação de que esta “tem de fazer alguma coisa” contra o Iraque. É
verdade que a ONU precisa “fazer alguma coisa”, mas não contra o Iraque,
que não ameaça ninguém, nem tem armas de destruição em massa. São os EUA
que estão entupidos de armas de destruição em massa – nucleares, químicas
e biológicas. A ameaça à paz e à segurança é Bush e sua “doutrina” de
ataque “preventivo” à margem da lei internacional; seu plano de desviar
armas nucleares para a guerra “convencional”; seu escudo “antimíssil”; e
sua recusa em assinar acordos que o mundo inteiro quer, como o Protocolo
de Kyoto e o novo tratado de proibição de armas químicas. Aliás, em artigo
assinado por ele ainda quando candidato a presidente, Bush diz,
literalmente, que os tratados caducaram, que os EUA – isto é, ele e seus
asseclas – não têm mais que respeitá-los, se não for do seu interesse.
Desde que chegou ao poder, o governo Bush ignorou mais tratados e
resoluções da ONU do que o resto do mundo em 20 anos.
A
senha de Bush e sua quadrilha para assaltar a segunda maior reserva de
petróleo do mundo é “desarmar” o Iraque. Nenhuma resolução da ONU pede o
“desarmamento” do Iraque – o que a resolução 687 e as que se seguiram
estabelecem é a proibição – e verificação – de “armas de destruição em
massa”. O que já é uma injustiça, pois os EUA são o maior depósito de
armas de destruição em massa, sem absolutamente controle algum – e a casta
que sufoca o país quer o monopólio delas. Mas não há resolução alguma
falando de desarmamento em geral do Iraque. Evidentemente, só aos ladrões
– e ladrões especialmente covardes – cabe essa história de “desarmamento”.
Bem que eles queriam que o Iraque estivesse “desarmado” e indefeso, para
facilitar o roubo. Aliás, vivem imaginando uma situação mais fácil para o
assalto: Saddam se “exilaria”, um golpe, etc.
Quem
acusa é que tem que provar. Esse é um princípio elementar de justiça – a
propósito a Justiça nasceu no Iraque, há 4 mil anos – mas os barões de
terra do Texas, depois mercadores de petróleo e de armas, se acostumaram
com o assalto à propriedade alheia e criaram esse espírito “jurídico”
comum nos filmes de faroeste: está à mão é só enfiar o colt 45 e pegar.
Toda a vileza se torna possível quando não vigora o preceito de que alguém
é inocente até prova em contrário. O acusador poderia dizer que “não ficou
convencido”, que a prova foi “insuficiente” ou que “estão escondendo”.
Como ninguém pode “mostrar” o que não tem, então fica aberto o caminho
para a agressão - é o que os EUA pretendem.
IRAQUE VASCULHADO
De
1991 a 1998, os inspetores vasculharam o Iraque, de cima a baixo, sempre
sob uma tremenda pressão e ingerência dos EUA. Vasculharam tudo. A
amplitude desse trabalho pode ser avaliada por alguns dados. A equipe da
AIEA assegurou em 1998 que o Iraque não tinha qualquer programa de armas
nucleares. Quanto aos mísseis e armas químicas e biológicas, o inspetor
Scott Ritter, um norte-americano, em conferência em abril de 2002 na
França, afirmou que a equipe de inspeção estava em 1996 em condição de
garantir que “90-95%” dos supostos programas de armas estavam
“destruídos”. O significado disso é que, tendo percorrido todas as
fábricas, laboratórios e até os palácios presidenciais, entrevistado
milhares de cientistas, técnicos, autoridades e pessoal militar, e
xeretado toda a numerosa documentação apresentada – mais de dois milhões
de páginas -, a equipe de inspeção considerava a questão essencialmente
resolvida. E essa colaboração do Iraque com os inspetores se deu em meio a
imensas dificuldades, com o país sendo reconstruído dos bombardeios e as
sanções.
Foi
nesse quadro que os EUA aceleraram as provocações e a espionagem em 1998,
para impedir que fossem levantadas as sanções, causando a saída dos
inspetores, e a seguir deram início a uma campanha de ataques aéreos que
se mantém, diariamente, até hoje. Como relatou o bem-informado Ritter, “se
fossem levantadas as sanções econômicas [como estabelecido pela resolução
687], se afrouxaria o cerco a Saddam e se tornaria impossível tirá-lo do
poder. O objetivo número um da política americana no Iraque não é destruir
seu potencial de destruição em massa, mas depor Saddam”. Por sua vez David
Frum, ex-escritor de discursos de Bush - o boçal tem toda uma equipe para
fingir que “pensa” - contou como lhes foi pedido, logo depois do 11 de
Setembro para inventarem – isso mesmo, inventarem - toda uma xaropada
capaz de gerar medo no povo americano em relação ao Iraque.
“DESARMEM
BUSH!”
“Desarmem Bush”: nas gigantescas manifestações que ocorreram – e seguem
ocorrendo – contra a agressão ao Iraque surgiram sugestivas faixas e
camisetas com esses dizeres. É a sabedoria do povo acerca de quem precisa
ser desarmado. Não é para menos. São os EUA que têm ogivas nucleares aos
milhares, bombas de nêutrons, “mininukes”, mísseis de cruzeiro, mísseis
intercontinentais, bombardeiros B-52 e “invisíveis”, arsenais de antraz,
botulismo e tudo de mais letal, estoques de armas químicas – as
convencionais e as de “segunda geração” – uma parafernália contra a
Humanidade e a serviço da decadente casta que assola os EUA e o mundo. Mas
nada disso adianta contra um povo determinado a defender sua soberania e
que conta com a solidariedade internacional. Os gângsters ianques já foram
corridos da Coréia, do Vietnã e de muitas partes do mundo. Pareciam, aos
salteadores, presas fáceis. É, bombardear bem lá do alto é fácil – e
extremamente covarde – mas para ocupar tem de descer e aí o bicho pega.
Bush e
essa gente sentem que o tempo corre contra eles e por isso tentam
intimidar o mundo, os povos, as pessoas de bem, para levar adiante sua
psicopatia, roubalheira e indigência moral. Mas tal açodamento só revela o
quanto estão isolados. Contra eles os 15 milhões nas ruas, os povos, os
países, a comunidade internacional. Com eles só meia-dúzia de capachos e
canalhas tipo Blair e Aznar, aliás tão ignorados quanto Bush. Mas ao invés
de intimidada, a Humanidade se levanta. Na quarta-feira dia 26, um sinal
dos tempos: 250 mil pessoas fizeram um cerco virtual à Casa Branca,
repudiando a “guerra” e entupindo os telefones e os e-mail de Bush e do
Congresso americano.
ANTONIO PIMENTA
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